LINHA DO TEMPO VEM DA SERRA

 

2011

MAR  -  A PRIMEIRA MESA É FEITA COM REAPROVEITAMENTO DE MATERIAIS

JUN  -  PRIMEIRA OFICINA DO VEM DA SERRA MONTADA

SET  -  LINHA DEDO DE DEUS, 82 PEÇAS DE FERRO E MADEIRA DE REFLORESTAMENTO

NOV  -  MESA SERRANA PRIMEIRO TAMPO COM SACO DE CIMENTO TRITURADO

 

2012

JAN  -  LINHA PIABANHA, VALORIZANDO DESCARTES. PRIMEIRA GERAÇÃO ECOMARMORE, JÁ MAIS LEVE EM BANCOS E BANQUETAS, CURADOS NO TEMPO E COM BANDEJAS DE SUSTENTAÇÃO.

JUN  -  LINHA PAQUEQUER - FERRO E ECOMARMORE

FIM DO ANO – PESQUISA INFORMAL DO CRIADOR: PRIMEIRA SÉRIE ECOMÁRMORE E MOTIVOS DECORATIVOS, PARA MESAS E BANCOS - AINDA MAIS LEVE.

 

2013

ABR  -  LINHA PEDRA DO SINO - PRIMEIRA PARCERIA COM DESIGNERS DO RIO DE JANEIRO.

 

2013/2014

PESQUISA COM APOIO DA FAPEJ/ADT1 - APRIMORAMENTO ECOMARMORE 1- PRIMEIRA SÉRIE ECOMÁRMORE COMO PLACA RESISTENTE, LEVE E REPLICÁVEL.

 

2014

PESQUISA INFORMAL DO CRIADOR- SEGUNDA SÉRIE DO ECOMÁRMORE COMO PLACA RESISTENTE

 

2015

JAN  -  LINHA DO FRADE, OS PRODUTOS DA SEGUNDA GERAÇÃO DO ECOMARMORE SURGEM DE FATO: TAMPOS SEM BANDEJA DE SUSTENTAÇÃO.

MAR  -  VEM DA SERRA CONQUISTA UM ESPAÇO PARA OFICINA E DESENVOLVIMENTO DE PESQUISAS

ABR  -  LINHA PEDRA AÇU, UTILIZANDO BASES DE COBRE, FERRO OU LATÃO

NOV  -  INAUGURAÇÃO DO ESPAÇO VEM DA SERRA COM OFICINA E LOJA

PESQUISA INFORMAL DO CRIADOR – SEGUNDA SÉRIE DE ECOMARMORE E MOTIVOS DECORATIVOS: USO DE MARCHETARIA FEITA COM LÂMINAS DE MADEIRA

DEZ  -  APROVAÇÃO EM MAIS DUAS LINHAS DE PESQUISA DA FAPERJ

  

2016

JAN  -  LINHA SÃO PEDRO - PEÇAS E ACESSÓRIOS DE DECORAÇÃO

FEV  -  LINHA DEDO DE NOSSA SENHORA - IMAGENS FEITAS DE REAPROVEITAMENTO DE MATERIAIS

MAI  -  AMPLIAÇÃO DA LINHA DO FRADE COM COLEÇÃO DE BANQUINHOS DESMONTÁVEIS EM MADEIRA, FERRO E ECOMARMORE

FIM DO ANO – PESQUISA INFORMAL DO CRIADOR – TERCEIRA SÉRIE ECOMARMORE E MOTIVOS DECORATIVOS, COM FATIAS DE CABOS DE VASSOURA E RENDAS

 

2017

MAR – LINHA ERMITAGE – PEÇAS EM FERRO RETORCIDO, COM BASE EM ECOMARMORE OU PINUS

OUT  - NOVA SÉRIE DE PEÇAS DA LINHA DO FRADE COM MOTIVOS DECORATIVOS RENDA,  JOGOS AMERICANOS E CABOS DE VASSOURA.

 

2018

JUL – PARCERIA COM FATOR BRASIS PARA VENDA DE PEÇAS

FIM DO ANO – PESQUISA INFORMAL DO CRIADOR – ECOMARMORE EM VÁRIAS TONALIDADES

 

2019

JAN – CRIAÇÃO DO COLETIVO ARTESÃOS DA ESTRADA COM DIVERSOS EMPREENDEDORES DA REGIÃO QUE PASSAM A EXPOR NO ESPAÇO VEM DA SERRA

JUN - NOVA SÉRIE DA LINHA DO FRADE COM TAMPOS PUROS E USO DE CORES 

 

 

Q&A – Perguntas e Respostas

 

Sobre Ecomármore

 

1 – O que é Ecomármore?

Alexandre Toscano - Ecomármore é um material criado a partir da reutilização do saco de cimento vazio, que pode ser usado para confecção de tampos de mesa, quadros, bancos, painéis, peças de decoração e revestimento de paredes.

Ele é um material inovador, artesanal, resistente e denso, que possui um aspecto diferenciado e bom acabamento superficial. 

Sua composição tem um percentual significativo de resíduos da construção civil e da indústria de alimentos e bebidas.  O reuso de sacos de cimento retira do meio ambiente um material impuro e não reciclável (pó de cimento impregnado nas fibras de papel teria custo de separação totalmente inviável).

Alguns outros materiais como caixas de tetrapak, rolhas, pinhas, tampinhas de garrafa também podem ser reutilizados no ecomármore e como elementos adicionais na produção de algumas peças de movelaria.

Existe uma grande versatilidade no ecomármore, por sua produção artesanal: cor, espessura, textura são personalizáveis.

 

2 – Por que os sacos de cimento não podem ser reciclados como papel normal?

AT - O pó de cimento impregnado nos sacos de papel torna o processo de reciclagem muito difícil e economicamente inviável. Por este motivo, os sacos acabavam indo para lixões sem reaproveitamento e com um custo ambiental altíssimo.

 

3 – Como surgiu a ideia?

AT - Quando comecei as pesquisas para o desenvolvimento dos produtos do VEM DA SERRA comecei a pensar em como trazer diversidade e personalidade aos tampos. Além da técnica de silk e a de massa de papel a partir do reaproveitamento de materiais, pensei em empastelar os tampos, decorando-os.

Foi então que, sabendo do interesse da designer Simone Gilson na reutilização de sacos de cimento, a convidei para realizar comigo oficinas de criação visando desenvolver uma série de tampos.  Revestimos tampos de várias maneiras e durante o encontro surgiu a ideia de triturar os sacos vazios de cimento. Experimentamos e o efeito foi surpreendente! 

 

 4 – É o pó do cimento impregnado que faz os sacos serem uma opção de material para movelaria?

AT - Talvez isso ajude, mas o saco em si já é um material muito interessante.  Imaginávamos que havia um bom material aí, já que os sacos de cimento embalam 50kg de material, são jogados e empilhados nas lojas e depósitos, além de serem difíceis de abrir! Em nossa pesquisa de materiais, vimos que este papel tem uma fibra longa que o torna muito resistente:  o cuidado em nossa manipulação é justamente para não rompe-la!

Com o sucesso do primeiro tampo em ecomármore, deixamos de lado a aplicação dos sacos na superfície dos tampos e passamos a pesquisar esta massa.

 

5 – Que outros materiais descartados são usados para a produção do ecomármore?

AT - Utilizamos madeira e outros resíduos de demolições, cavaco (toquinho de madeira) e serragem de madeira. Já foram utilizadas telas de arame, sementes e pinhas.

Chegamos a usar rolhas, mas ainda precisamos realizar mais pesquisas, uma vez que o material poroso não responde bem a alguns testes de resistência.

 

6 – As pesquisas continuam? Que tipo de materiais são utilizados?

AT - Já foram realizadas várias fases de pesquisa para a criação e aperfeiçoamento do Ecomármore. Elas não deixam de ser realizadas, sempre pensando em aprimorar ainda mais o material e a técnica de produção. [veja linha do tempo].

O VEM DA SERRA irá realizar mais uma etapa da pesquisa formal, aprovada junto à FAPERJ/ADT1- Aprimoramento do Ecomármore 2- variações de placas e motivos decorativos.

 

7- Você tentou produzir com algum material que não respondeu como esperado?

AT - Sim! Durante os anos de pesquisas testamos inúmeros materiais. Um deles, a rolha, vai merecer um estudo maior futuramente. Notamos que ela respira, absorve muita humidade e deixa o material muito vulnerável à dilatação. É um material que dá uma aparência bonita ao produto, porém não passou nos testes de resistência que fizemos.

 

8 – Qual é a relação de quantidade de sacos de cimento e produto final?

AT - Já existem medidas. Chegamos a elas na mais recente pesquisa FAPERJ, porém mantemos esse número em sigilo por questões estratégicas.

 

9 – De onde vem esta matéria prima?

AT - Os sacos de cimento utilizados na produção do ecomármore vinham de uma parceria com uma Fábrica de Artefatos de Concreto, em Vassouras-RJ. Após o recente fechamento da empresa, passamos a captar os sacos vazios em obras e empresas da região de Teresópolis. 

 

10 – Tem dados sobre quantidade de sacos descartados em obras?

AT - Esta é uma questão que nos preocupa e nos move. Não temos dados oficiais sobre isso. O que observamos no cotidiano (sem dados oficiais) é que existe ainda o descarte em aterros. Sabemos que foi sancionada uma lei que proíbe o descarte de sacos de cimento vazios em lixo comum, porém o que se percebe de uma maneira geral é que eles terminam mesmo indo para lixões e aterros sanitários.

 

11 – Como é a questão do carbono?

AT - A ideia do ecomármore é ser um produto limpo, sem emissão de gazes para sua produção e tendo uma função ecológica real. Por este motivo, todo o processo é feito a frio (prensado manualmente) e mecanicamente (triturado e prensado)

 

Sobre Design e Produção

 

1 – Como surgiu a ideia para as primeiras linhas?

Alexandre Toscano - Quando nos mudamos para Teresópolis, fizemos uma obra na casa. Sobrou uma quantidade de madeira desta obra e precisávamos ainda de uma mesa para o centro da sala de estar. Um dia, usei a madeira que havia guardado para fazer a mesa para a sala. Cada visita que recebíamos elogiava muito o trabalho e até alguns chegavam a pedir que fizesse mesas para eles!

Não havia como adiar o início do VEM DA SERRA: sentamos e idealizamos os 5 primeiros jogos de peças. Foi a linha DEDO DE DEUS, com formas retas, ferro e madeira, peças limpas.

 

2 – Quais parcerias você teve/tem?

AT - Soubemos do programa de fortalecimento do design no setor moveleiro do Rio, realizado pelo SENAI, em uma feira da qual participamos em São Paulo! Estávamos na Paralela Móvel em 2011, da Mariza Ota, quando o Hugo Gripa, especialista em design de móveis do SENAI RJ entrou no estande e nos contou deste programa. Depois da Feira o contatamos e começou o processo de envolvimento com o design.

A partir daí surgiram as parcerias com o SENAI DESIGN de MOVEIS/RJ, os programas PROCOMPI, depois OFICINA DESIGN. Surgiram também os editais da FAPERJ para pesquisa e as parcerias com os designers CABURE STUDIO, depois Gustavo Bitencourt.

Mais recentemente, fizemos parceria com o Sindicato Moveleiro de Petrópolis, especialmente para cursos e aprimoramento da gestão dos negócios.

 

3 –Existe alguma fonte de inspiração recorrente?

AT - Sim, é a minha história: os anos de pintura, de arte educador, de cineasta e de cenógrafo. Esta trajetória me trouxe a experiência e o gosto por construir a partir do branco, do pouco, da sucata, ou da pressão do tempo.

 

4 – Qual a capacidade de produção – quanto tempo demora para produzir uma peça?

AT - Até a chegada da prensa, a produção era muito lenta. Nove peças por semana. Agora com ela, pode chegar a 20 por semana, com a atual equipe de trabalho. No momento, já estamos aparelhados também para pedidos maiores, via terceirização parcial, principalmente da produção das estruturas de ferro e madeira de reflorestamento.

 

5 – Existe uma preocupação em manter um trabalho artesanal?

AT - Sim, com certeza! Não me interessa ser indústria e fazer centenas de peças de forma automatizada. Optei pelo caminho das peças assinadas, mas de preços acessíveis.

Chegaremos possivelmente a uma produção semi-industrial, porém sempre mantendo compromisso da sustentabilidade na produção.

 

6 – Como você define o Mobiliário Brasil Rústico Urbano?

AT -  Quando estávamos na primeira feira em 2011, nos apresentamos como mobiliário rústico. Um cliente chegou e nos disse: “Vocês estão errados, estas peças são ‘rústico urbanas’, porque também compõem muito bem ambientes modernos: e isso é urbano!”.

Quando voltamos da feira, descobrimos que este seria o termo que nos definiria dali em diante! Infelizmente, não tivemos a oportunidade de anotar o nome do potencial cliente, a quem agradecemos o insight.

Assim, o "rústico-urbano" pode estar presente em uma casa das grandes cidades brasileiras, como peça neutra, da Linha Dedo de DEUS, ou decorativa da Linha Piabanha, Frade, Pedra Açu ou Pedra do Sino. E ainda, em casas de praia, casas de cidades menores, sedes de fazendas, compondo harmoniosamente com peças rústicas!

 

7 – É possível produzir móveis 100% ‘responsáveis’?

AT - Infelizmente ainda não, mas é possível ter esta meta. Sustentabilidade implica em um espectro de ações que envolvem todas as etapas da produção, os fornecedores, os parceiros, as instalações. Mas sim, é meta!

 

Sobre Alexandre Toscano

 

Alexandre Toscano é artista plástico e moveleiro. A movelaria entrou em sua vida pela família. Inspirado pelo tio, abriu uma loja no Grajau/RJ em que realizava pátinas e restaurações. Em viagens a trabalho para Minas Gerais “garimpava” raridades e aprendia com os artesãos a arte de criar móveis em madeira. Criativo e com facilidade em reutilizar materiais, foi dentro da loja que recebeu o convite para levar seus conhecimentos a projetos sociais e, durante anos, realizou oficinas para crianças e jovens de comunidade, sobre a arte da restauração, a pintura de móveis e a reutilização de materiais.

Foram mais de 50 oficinas para crianças em diversas Unidades da FIA, Comunidade Solidária de Ruth Cardoso e para empresas, como AMPLA. Teve ainda a vivência do carnaval carioca, trabalhando por mais de 5 anos como pintor de arte em escolas de samba.

Estudou Cinema e trabalhou com direção, arte e cenografia. Realizou documentários, curtas, vídeos e comerciais para televisão. No cinema, participou de 9 longa metragens, sendo o último o ASSALTO AO BANCO CENTRAL.

Em 2011, mudou-se definitivamente para Teresópolis, em busca de mais qualidade de vida. Logo fez uma pequena oficina de móveis na garagem e em pouco tempo, estava totalmente envolvido, produzindo dezenas de peças. De repente, cerca de 90 delas já tinham sido vendidas. Foi o início do Vem da Serra.

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